Minas Gerais, tradicional berço da produção cafeeira no Brasil, vive uma fase de efervescência no mercado de cafeterias. Após os impactos da pandemia, o setor mostra sinais consistentes de recuperação e valorização. Em 2023, 51% dos brasileiros voltaram a frequentar cafeterias, número expressivo frente aos 9% registrados em 2021, segundo a Pesquisa de Hábitos e Preferências do Consumidor de Café, realizada pelo Instituto Axxus e pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).
Em Belo Horizonte, capital do Estado, essa tendência é ainda mais evidente. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, apontam que a capital mineira conta com 7.582 estabelecimentos ligados ao setor, classificados como lanchonetes, casas de chá, sucos ou restaurantes e similares. A remuneração média dos profissionais da área atingiu R$ 1.565,55 em 2024, refletindo a valorização da mão de obra especializada.
Além da retomada do consumo, o crescimento das cafeterias está diretamente ligado à busca por experiências completas.
“As cafeterias deixaram de ser apenas locais para tomar café. Hoje, são espaços de convivência, com ambiente agradável, preparo diferenciado e comodidades como Wi-Fi e energia”, afirma o economista Henrique Monteiro Braga.
No cenário nacional, o Brasil consumiu 21,9 milhões de sacas de café em 2024, crescimento de 1% em relação ao ano anterior. Desde 1996, o consumo interno praticamente dobrou. Minas Gerais lidera a produção nacional com 28,1 milhões de sacas, segundo o IBGE, seguido por Espírito Santo (14,8 milhões), São Paulo (5,6 milhões), Bahia (4,1 milhões) e Rondônia (2,8 milhões).
O presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte, Mário Arthur Brandão de Sousa, destaca que a tradição mineira, aliada à diversidade de grãos e ao conhecimento técnico dos produtores, fortalece a qualidade das cafeterias no estado.
No plano internacional, o Brasil exportou cerca de 50,6 milhões de sacas entre janeiro e novembro de 2024, movimentando mais de R$ 12,5 bilhões. Os principais destinos foram Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, Itália e Japão.
A Fecomércio MG, presidida por Nadim Elias Donato Filho, acompanha de perto esse movimento. Representando mais de 750 mil empresas e 51 sindicatos, a entidade atua na defesa dos interesses do setor, promovendo capacitação, diálogo institucional e desenvolvimento econômico.