Brumadinho entra em alerta nível 2 por risco em barragem rural e evacuação preventiva

Apesar da ausência de anomalias estruturais, a falta de estudos atualizados motivou a decisão da ANM.

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ANM determina retirada preventiva de moradores próximos à barragem B1-A, na Mina do Quéias. Foto — Leandro Couri/EM/D.A Press.
ANM determina retirada preventiva de moradores próximos à barragem B1-A, na Mina do Quéias. Foto — Leandro Couri/EM/D.A Press.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) determinou a evacuação preventiva de cerca de 40 pessoas que vivem no entorno da barragem B1-A, localizada na Mina do Quéias, em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. A estrutura pertence à empresa Emicon Mineração e Terraplenagem e está situada na Serra da Conquista, dentro da sub-bacia do Córrego dos Quéias, na área rural do município.

A medida foi anunciada oficialmente na quarta-feira (23 de julho de 2025), e ocorre após a elevação do nível de emergência da barragem de 1 para 2, em uma escala que vai até 3. Apesar da classificação de risco mais alta, a ANM informou que não foram identificadas anomalias que indiquem rompimento iminente. A evacuação ocorre no período de seca, quando o acesso é mais seguro, visando garantir a integridade física dos moradores durante o processo.

A Defesa Civil municipal já iniciou o trabalho de orientação junto às famílias da chamada Zona de Autossalvamento (ZAS), como é conhecida a área que exige ações emergenciais imediatas em caso de acidentes.

Ainda segundo a ANM, o motivo da decisão é a ausência de estudos técnicos atualizados sobre a estabilidade da estrutura. A agência apontou que novas investigações estão em andamento, mas os dados ainda não foram incorporados às análises devido a pendências contratuais com empresas contratadas. Por isso, será exigida a contratação de uma consultoria independente para revisão e validação das informações disponíveis.

A Avabrum — Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem de Brumadinho — criticou a fragilidade da legislação e a lentidão nos processos de fiscalização. A entidade destacou que a desativação de estruturas consideradas perigosas tem sido adiada e que novas legislações ambientais acabam favorecendo empresas mineradoras, dificultando o controle social e a prevenção.

A associação afirma ainda que pretende acionar o Ministério Público e órgãos competentes para exigir:

  • a evacuação imediata e assistida das áreas classificadas como críticas;
  • a fiscalização técnica por instituições isentas;
  • a responsabilização dos gestores;
  • a ampliação da transparência no setor minerário.

A Avabrum também reforçou o pedido de fiscalização presencial nas mais de 30 barragens em situação crítica no estado de Minas Gerais.

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