Arsenal com 450 munições e R$ 53 mil apreendido; quatro homens de 29 a 41 anos presos

Além do arsenal, foram recolhidos veículos utilizados no transporte do material, confirmando a atuação conjunta do grupo.

COMPARTILHE:

Rotam desmantela esquema ligado a latrocínio em Itaúna após rastrear veículos usados no crime. Fotos — cedidas ao Agito Mais.
Rotam desmantela esquema ligado a latrocínio em Itaúna após rastrear veículos usados no crime. Fotos — cedidas ao Agito Mais.

Na noite de quarta-feira (3 de dezembro de 2025), por volta das 18h04, uma grande operação policial tomou conta do bairro Durval de Barros, em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte. Mais cedo, ainda pela manhã, o comando da Rotam havia sido informado pelo setor de inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais sobre um latrocínio registrado em Itaúna, na MG‑050, em que o proprietário da loja de armas Silent Shot foi encontrado morto ao lado do próprio veículo e teve 41 armas, entre revólveres e pistolas, levadas do estabelecimento.

Segundo informações obtidas pelo Agito Mais, diante da gravidade do crime, o serviço de inteligência passou a rastrear um Chevrolet Onix Plus, visto por câmeras de segurança próximo à loja no horário da subtração do armamento. Com base nessas imagens, militares deflagraram operação para identificar os envolvidos e localizar o material roubado. O Onix foi encontrado estacionado próximo à casa de um suspeito em Ibirité, e o monitoramento levou os policiais até uma caminhonete Toyota Hilux SW4, abordada pelo Tático Móvel do 48º BPM na bairro Tirol.

No veículo, conduzido por um homem de 41 anos, os militares avistaram caixas de munição sobre o banco do passageiro e, na busca, localizaram 15 munições calibre .380, 10 munições 9 mm e 10 munições .40. Paralelamente, outras equipes seguiram para a rua Bom Sucesso, no bairro Durval de Barros, endereço ligado ao suspeito. No imóvel, que abriga a residência do investigado e uma determinada empresa, policiais foram recebidos por funcionários e pela esposa do homem de 41 anos, que autorizaram as buscas.


Na área empresarial, os militares abordaram um funcionário e encontraram, sobre uma mesa, uma pistola IWI Jericho calibre 9 mm. Em um cômodo usado como depósito, um armário guardava um verdadeiro arsenal: um fuzil Taurus T4 calibre 5,56, uma espingarda calibre 12, uma carabina Puma calibre .38, um revólver .38, um revólver .357, três pistolas (Glock e Taurus) em calibres .380 e outra Jericho .380. No mesmo local estavam 64 munições .38, 77 munições .40, 450 munições .380, 229 munições .22, 105 munições 5,56, uma munição .32, uma munição .32 de espingarda e 255 munições 9 mm, todas intactas.

As buscas seguiram para a parte residencial, onde a esposa do suspeito apontou que havia armamento no quarto do casal. Ao lado do rack da televisão, policiais encontraram duas pistolas Glock calibre 9 mm e um revólver calibre .38. Dentro do móvel, havia ainda uma pistola .40 modelo TH, carregada com 10 cartuchos e pronta para uso, além de R$ 6.000,00 em espécie. No armário, os militares localizaram uma pistola Taurus calibre .22, seis caixas de munição calibre 12 e uma caixa com R$ 47.076,00, totalizando mais de R$ 53 mil em dinheiro.

Em continuidade, o sofá da sala escondia outra arma: uma pistola Imbel calibre .380, com carregador abastecido com oito cartuchos intactos. Enquanto isso, um funcionário relatou ter sido contratado há cerca de uma semana e contou que, a pedido do patrão, alugou o Chevrolet Onix Plus na Unidas Locadora, usando o próprio cartão de crédito, já que o empregador estaria impedido de formalizar o contrato. O carro foi registrado com ele como condutor principal e o superior como adicional, e seria usado em viagem.

Arsenal com 450 munições e R$ 53 mil apreendido; quatro homens de 29 a 41 anos presos


Outro depoimento decisivo foi o de um homem ligado ao suspeito, que afirmou ter recebido a proposta de ajuda financeira para buscar armas em Itaúna, sob a justificativa de que seriam destinadas à abertura de um clube de tiro. Segundo ele, na noite de 2 de dezembro, viajou com o investigado no Onix até Itaúna, onde o chefe desembarcou em um bairro após a linha do trem e mandou que ele aguardasse. Mais tarde, reencontrou o patrão acompanhado de um indivíduo de capacete, não identificado naquele momento, e ambos embarcaram novamente no veículo.

Ainda em Itaúna, o colaborador disse ter visto, em um cruzamento, a caminhonete Hilux de um conhecido empresário de clube de tiro, conduzida por um homem de Ibirité que teria as mesmas características do ocupante de capacete visto pouco antes no Onix. Em seguida, contou ter recebido duas bolsas com armas de fogo em uma das saídas da cidade, próximo a um radar de velocidade. De acordo com o relato, levou sozinho as bolsas para Ibirité, na madrugada de 3 de dezembro, e as guardou embaixo da cama, na casa da família, no bairro Bela Vista.

Com o novo endereço, as equipes da Rotam se deslocaram até o Bela Vista, onde foram recebidas pela mãe do colaborador, que autorizou a entrada. No quarto, duas bolsas escondiam as 41 armas de fogo roubadas em Itaúna, confirmando a ligação entre o crime na MG‑050 e o grupo preso em Ibirité. A responsável pelo imóvel afirmou desconhecer que o filho mantinha armamento na residência.

Em interrogatório, o homem de 41 anos admitiu ter uma dívida a receber de aproximadamente R$ 200.000,00 de um empresário dono de clube de tiro em Itaúna. Segundo sua versão, ambos planejaram simular o furto das armas do estabelecimento do devedor, usando senhas de cofre e alarme fornecidas pelo próprio proprietário. O suspeito afirmou ter ido à empresa em Itaúna na noite do dia 2, retirado as armas do cofre e, com apoio de um terceiro motorista no Onix, transportado o material para Ibirité, onde ficou sob a guarda de um cúmplice.

Concluídas as diligências, foi dada voz de prisão em flagrante aos quatro homens, de 29, 30, 34 e 41 anos, todos conduzidos à delegacia com as 41 armas recuperadas, centenas de munições, valores em dinheiro e demais materiais apreendidos. A caminhonete Hilux SW4, e o Chevrolet Onix Plus, também foram recolhidos por reboques credenciados e encaminhados para pátios da região, ficando à disposição da Polícia Judiciária para as investigações sobre o latrocínio e o esquema de simulação de furto em Itaúna.

COMPARTILHE:

veja +

+ recomendação

Rolar para cima