A Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito da Operação Rejeito e indiciou 34 pessoas por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes em licenças ambientais e exploração mineral irregular em Minas Gerais. O grupo atuava em áreas protegidas como a Serra do Curral, em Belo Horizonte, capital do Estado, e a Serra do Botafogo, em Ouro Preto, região central do Estado, movimentando mais de R$ 4 bilhões em recursos ilícitos.
Segundo o relatório, a organização criminosa era estruturada em núcleos de liderança, operação financeira e articulação com órgãos públicos. Empresários do setor minerário e servidores de órgãos ambientais teriam facilitado a tramitação de licenças em áreas onde a exploração é proibida.
Entre os crimes investigados estão corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude em processos administrativos, falsidade documental e crimes ambientais. As investigações começaram em 2023 e reuniram provas como mensagens, documentos, análises bancárias, perícias e auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU).
O esquema envolvia mais de 40 empresas, muitas delas de fachada, utilizadas para ocultar patrimônio e dissimular receitas. A PF também identificou tentativas de contravigilância, em que os investigados monitoravam autoridades para antecipar medidas judiciais.
O relatório final foi encaminhado à Justiça Federal em Belo Horizonte, e caberá ao Ministério Público Federal (MPF) decidir se apresenta denúncia contra os indiciados.
A Operação Rejeito expôs vulnerabilidades no sistema de licenciamento ambiental e minerário em Minas Gerais, estado que concentra parte expressiva da produção mineral do país. O caso evidencia como fraudes em processos administrativos podem gerar impactos bilionários e danos ambientais em áreas de preservação.



