Um estudo inédito acaba de revelar a força e os obstáculos enfrentados pelo teatro produzido fora de Belo Horizonte, capital do Estado. O Dossiê do Teatro no Interior de Minas Gerais, coordenado pelo artista e pesquisador Bruno Regenthal, da Cia Lamparina, mapeou mais de 130 agentes culturais distribuídos em 70 municípios mineiros, oferecendo um panorama detalhado da cena teatral no estado.
O levantamento, realizado entre março de 2025 e janeiro de 2026, combina questionários e entrevistas com artistas e produtores culturais. Os dados apontam para a ausência de espaços culturais em diversas cidades, dificuldades de circulação entre municípios e forte dependência de editais como principal fonte de financiamento.
Apesar dos desafios, o dossiê evidencia a inventividade dos grupos locais: apresentações em praças, escolas e espaços alternativos, festivais independentes e ações comunitárias que mantêm viva a produção teatral.
“O teatro do interior existe, resiste e cria com enorme potência, mas muitas vezes permanece invisível, sem dados e sem escuta. O Dossiê nasce para mudar esse cenário”, afirma Regenthal.
A pesquisa também destaca contrastes regionais, mostrando tanto carências estruturais quanto práticas inovadoras. Em várias cidades, a cena teatral se sustenta por meio de redes colaborativas e estratégias criativas que garantem a continuidade das atividades.
Com sede em Ouro Preto, a Cia Lamparina, dirigida por Regenthal, desenvolve projetos que articulam teatro, patrimônio, cultura popular, audiovisual e formação de público. O dossiê, disponível gratuitamente online, consolida-se como uma ferramenta de memória e articulação, servindo de referência para artistas, gestores, pesquisadores e formuladores de políticas públicas.
Ao dar visibilidade a uma produção historicamente pouco documentada, o estudo tem a importância de reconhecer o interior como parte essencial da identidade cultural de Minas Gerais.

