Neste domingo (3 de maio de 2026), o mundo celebrou o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, instituído pela ONU em 1993 em referência à Declaração de Windhoek, documento histórico que defendeu uma imprensa independente e pluralista. A data chega em 2026 em meio a um cenário global preocupante: segundo a ONU, houve aumento acentuado no número de jornalistas mortos em zonas de guerra, com 85% dos crimes contra profissionais da imprensa permanecendo impunes.
No Brasil, entretanto, o quadro mostra sinais de melhora. O país subiu 11 posições no ranking da Repórteres Sem Fronteiras, alcançando o 52º lugar e ultrapassando os Estados Unidos, que caíram para a 64ª posição. Esse avanço foi atribuído à ausência de assassinatos de jornalistas nos últimos anos e à normalização das relações institucionais entre governo e imprensa.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) também destacou conquistas recentes, como a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou o Governo de São Paulo a indenizar um cinegrafista que perdeu a visão durante manifestações em 2013, após ser atingido por bala de borracha da Polícia Militar. Esse caso é considerado um marco, pois reafirma o papel do Estado como garantidor da segurança dos profissionais da comunicação.
Em entrevista ao portal Agito Mais, o jornalista Hugo Avelino ressaltou que a liberdade de imprensa é mais do que um direito dos jornalistas:
“Ela garante à sociedade o acesso à informação plural e transparente. Sem imprensa livre, a democracia se fragiliza e a população perde a capacidade de fiscalizar o poder público”.
Além disso, relatórios recentes apontam para novos desafios, como o avanço da violência online contra mulheres jornalistas. Segundo a ONU Mulheres, 45% das profissionais relataram autocensura nas redes sociais em 2025, reflexo de ataques digitais coordenados.
O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, portanto, não é apenas uma celebração, mas um chamado à ação. Ele lembra que vitórias judiciais e avanços institucionais são fundamentais, mas que a luta contra censura, intimidação e violência continua sendo urgente em todo o mundo.



