Diretor da ANM e ex-chefe da PF presos por fraude em licenças ambientais em Minas Gerais

A investigação identificou o uso de empresas de fachada, pagamento de propinas e influência indevida sobre órgãos reguladores, resultando em prisões, afastamentos e bloqueio de bens bilionários.

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Mandados judiciais atingem figuras-chave do setor mineral e ambiental, incluindo nomes ligados à CPRM, FEAM e IEF, em ação que expõe a fragilidade institucional diante de interesses econômicos ilícitos. Foto — Polícia Federal.
Mandados judiciais atingem figuras-chave do setor mineral e ambiental, incluindo nomes ligados à CPRM, FEAM e IEF, em ação que expõe a fragilidade institucional diante de interesses econômicos ilícitos. Foto — Polícia Federal.

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (17 de setembro de 2025) uma operação de grande escala contra um esquema criminoso que fraudava licenças ambientais no setor de mineração em Minas Gerais. Entre os 14 presos estão Caio Mario Seabra, diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), e Rodrigo de Melo Teixeira, ex-diretor da Polícia Federal na Diretoria de Polícia Administrativa, atualmente cedido à Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM).

A ação cumpre 22 mandados de prisão temporária e 79 de busca e apreensão em Belo Horizonte e outras cidades do estado. A Justiça Federal também determinou o bloqueio e sequestro de bens no valor de R$ 1,5 bilhão.

Segundo a PF, o grupo criminoso operava por meio de um conglomerado de mais de 40 empresas, com destaque para a holding Minerar S/A, especializada na exploração de minério de ferro em regiões ambientalmente sensíveis. O inquérito, iniciado em 2020, aponta que os envolvidos corromperam servidores de órgãos como ANM, IPHAN, Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

Segundo o G1, entre os principais alvos da prisão preventiva estão os empresários:

  • Alan Cavalcante do Nascimento, apontado como líder do esquema;
  • Helder Adriano de Freitas, sócio de Alan na mineração Gutesiht, responsável por articular com servidores públicos e órgãos ambientais;
  • João Alberto Paixão Lages, também sócio na Gutesiht e envolvido na manipulação de processos de licenciamento.

A investigação revelou que o grupo obteve autorizações para atuar em áreas tombadas e de alto risco ambiental, próximas a unidades de preservação. Para garantir a continuidade dos empreendimentos ilegais, os envolvidos recorreram a corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, fraudes documentais e lavagem de dinheiro.

Alguns investigados receberam dois mandados de prisão por inquéritos distintos, que apuram também o vazamento de informações sigilosas. No total, 17 pessoas são alvo de prisão preventiva.

Além das prisões, a Justiça Federal determinou o afastamento de três servidores públicos:

  • Fernando Baliani da Silva (FEAM);
  • Breno Esteves Lasmar (Instituto Estadual de Florestas – IEF);
  • Fernando Benício de Oliveira Paula (Conselho Estadual de Política Ambiental – Copam).

A PF estima que mais de R$ 3 milhões foram pagos em propina a agentes públicos, com alguns deles recebendo mesadas mensais para favorecer os interesses da organização criminosa.

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