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Itabirito perde disputa de abertura da Heineken e vereadores da bancada do povo criticam administração

Para os parlamentares, prefeitura não tratou a matéria com a devida importância

05/05/2022 às 09h40 Atualizada em 05/05/2022 às 14h33
Por: Jornalismo AgitoMais Fonte: Assessoria de imprensa "Bancada do povo"
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Fábrica da Heineken, em Alagoinhas-BA. (Foto: correio 24 horas)
Fábrica da Heineken, em Alagoinhas-BA. (Foto: correio 24 horas)

Em dezembro do ano passado, a Prefeitura Municipal de Itabirito divulgou, por meio de suas redes sociais, que havia entrado na disputa para viabilizar as instalações da nova fábrica da Heineken, empresa de bebidas. 

 

Porém, na última semana, a empresa divulgou que a cidade escolhida foi Passos, no sul de Minas. 

Diante disso, vereadores da bancada do povo questionaram a Prefeitura Municipal sobre a forma que a administração utilizou para atrair a empresa. 

 

Segundo o vereador Dr. Edson, “a Prefeitura de Itabirito e a secretaria de desenvolvimento econômico não trataram a questão da implantação da fábrica da Heineken com a devida importância. Foi tratada de forma superficial, amadora e até infantil”. 

 

O parlamentar destacou a importância econômica do empreendimento na cidade. 

 

“Nós estamos falando de um investimento de 1 bilhão e 800 milhões de reais, além de 350 empregos diretos e 11 mil indiretos, Um aumento de mais de 170 milhões em arrecadação por ano para o município”. 

 

Dr. Edson ainda citou que o município oferece o que a empresa estava buscando em um local para as instalações, mas “não houve um plano de ação ousado e agressivo por parte da secretaria de desenvolvimento econômico”.

 

“Temos área disponível, água abundante, logística privilegiada e mão de obra qualificada. O município dispõe de área que margeia da BR040, próximo à fábrica Femsa/Coca Cola. O local possui água em abundância , além de ser estratégico para escoamento da produção. Tal local facilitaria a criação de um polo produtivo de bebidas, o que facilitaria para essas empresas o recebimento de insumos e matérias primas, diminuindo seus custos de produção”. 

 

Além disso, o vereador criticou severamente a ação utilizada pela prefeitura, com postagem na rede social.

“A Prefeitura de Itabirito pensou que criando apenas um post no Instagram com uma iguaria local e marcando a empresa seria suficiente para atrair um investimento dessa magnitude e vencer a concorrência entre mais de 200 cidades mineiras”. 

 

Max Fortes critica a falta de união da gestão

 

Outro vereador que criticou a perda da concorrência pelo município foi Max Fortes, que viu com decepção a notícia. 

“Muito decepcionado com essa notícia da perda da Heineken, ainda mais eu, que tenho a questão do emprego, renda e empreendedorismo como uma das minhas principais bandeiras na Câmara”. 

Max citou também a falta de união em torno do projeto. 

 

“Outro ponto que percebo que faltou foi unir forças em torno desse projeto. Nessa hora não pode ter divisão política. Tem que integrar as potencialidades em benefício de um objetivo maior. Espero que possamos aprender com esse episódio,  aproveitar novas oportunidades que virão, refazer nossa política de desenvolvimento e atrairmos novas empresas na promoção da diversificação econômica e do desenvolvimento sustentável. Me coloco sempre a disposição”. 

 

O parlamentar também citou as vantagens oferecidas pelo município, que não foram exploradas pela prefeitura municipal ao entrar na concorrência. 

 

“Por mais difícil que seja, além enorme concorrência,  vejo que Itabirito tem  vantagens competitivas para atrair um investimento desse porte, como localização e logística privilegiadas na BR 040, materia prima em abundância, um dos melhores lençóis aquíferos  para esse segmento de bebidas, uma empresa do segmento já instalada no município, inclusive com relações com a Heineken; porém a meu ver, falta uma política de desenvolvimento econômico estruturada.

Acredito que esse é o grande aprendizado que esse processo nos deixou.

Em 2009, quando iniciei as negociações com a Coca Cola Femsa, o maior diferencial que tínhamos era uma política de desenvolvimento consolidada, passando segurança para os empresários e tendo ações efetivas, como por exemplo, um distrito industrial às margens da BR 040 já licenciado e pronto para receber a Coca-Cola”.

 

Max também elogiou a secretária de desenvolvimento econômico, mas destacou o apoio que a profissional precisa receber por parte da administração pública.

 

"A Secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia, tem toda capacidade e competência para reestruturar a nossa política de desenvolvimento econômico, porém precisa ter as condições adequadas, orçamento, equipe e estrutura, caso contrário, como diz o ditado, "uma andorinha só não faz verão", concluiu.

 

Falta de articulação e conhecimento técnico são destacados por parlamentar

 

Outro ponto levantado pelo vereador Dr. Edson foi a falta de articulação por parte da Prefeitura Municipal. 

 

“Por que o prefeito não fez as articulações políticas necessárias no âmbito federal, estadual e municipal? Existe lobby e parece que a Prefeitura desconhecia isto. Por que não houve diálogo com o Legislativo Municipal para juntar forças nessa demanda?”

 

Ainda segundo o vereador, houve falta de conhecimento técnico por parte da prefeitura municipal, que não apostou em buscar auxílio de suas consultorias para a demanda. 

 

“Se a Prefeitura não possuía conhecimento técnico para uma tratativa deste porte deveriam ter contratado ou exigido que alguma de suas muitas consultorias auxiliasse o município para este fim.

Hoje quase todas as secretarias da Prefeitura de Itabirito têm contratos de consultoria. Mas porquê diante de uma situação como esta não usaram os consultores para elaborar um Briefing detalhado demonstrando a Heineken porque Itabirito era a melhor escolha?”.

 

Mineração é o foco da administração atual

 

Apesar da necessidade em diversificar a economia do município, tirando o foco apenas nas empresas de mineração, assunto muito citado também pela população da cidade, a Prefeitura de Itabirito permanece voltando suas atenções apenas a esse nicho, não viabilizando a vinda de outros ramos empresariais. 

 

“Essa estratégia equivocada e infeliz demonstra que o foco do governo local não é de diversificar a economia, mas de permitir que a cidade continue dependendo exclusivamente da mineração.

Segundo o vice-prefeito da cidade de Passos, vencedora da concorrência, a escolha da Heineken se deu por quatro fatores.

1-    Abundância de água

2-    Mão de obra qualificada

3-    Facilidade de escoamento da carga

4-    Preparo do secretariado para seduzir a empresa”

 

Secretariado é colocado em xeque

 

Outro ponto destacado pelo parlamentar, Dr. Edson, foi a ineficiência do secretariado do município. 

 

“Entendo que a cidade de Passos possui melhores atrativos que Itabirito apenas na parte do secretariado, onde lá demonstraram preparo e capacidade para dialogar e conduzir um processo tão grandioso como este. Aqui em Itabirito não trataram a questão com a devida relevância que o tema merecia”.

 

Vereadores enviam requerimento para a Prefeitura solicitando detalhes sobre o tema

 

No último dia 2, os vereadores da “bancada do povo” enviaram para a Prefeitura Municipal o requerimento 201/2022, solicitando esclarecimentos sobre a política de atrativos ofertadas para a implantação da empresa na cidade. De acordo com o documento, “Itabirito perde uma grande oportunidade de diversificar sua economia , gerar empregos, renda e implementar um projeto de grande importância para a população”. Ainda no documento eles justificam que “dentro do nosso papel de fiscalizadores, precisamos saber qual a política de desenvolvimento econômico está sendo aplicada para a atração de empresas”. 

 

Dr. Edson finalizou dizendo que a estratégia utilizada pela prefeitura, ou a falta dela foi o ponto que culminou a perda da concorrência. 

 

“No final das contas, a Prefeitura entendeu que fazer um post do Instagram com uma foto de um pastel de angu, que é uma iguaria local, era suficiente para atrair um investimento de 1 bilhão e 800 milhões de reais. Não entenderam que a Heineken, como qualquer empresa, trabalha pelo lucro e quer ter garantias e vantagens competitivas no mercado. Além do mais, o Município poderia ter oferecido incentivos fiscais, como fez com a Coca-Cola à época”, destacou o parlamentar. 








 

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