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Após auxílios negados pela prefeitura, família do bairro Santo Antônio organiza almoço beneficente para arrecadar dinheiro e reconstruir casa

Alguns vereadores da base aliada foram procurados pelos moradores, mas não atenderam as chamadas

15/03/2022 às 09h51 Atualizada em 15/03/2022 às 10h33
Por: Jornalismo AgitoMais
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Após mais de 2 meses da enchente, a entrada da casa da família permanece assim. Prefeitura não esteve no local para fazer limpeza e remoção de destroços do muro. (Foto: acervo pessoal)
Após mais de 2 meses da enchente, a entrada da casa da família permanece assim. Prefeitura não esteve no local para fazer limpeza e remoção de destroços do muro. (Foto: acervo pessoal)

Uma família residente no bairro Santo Antônio, assim como tantas outras em Itabirito, está passando por uma situação dramática desde as chuvas de janeiro, que causaram diversos danos na cidade.

Além de terem parte da casa danificada, com queda de poste e muro, os moradores tiveram o auxílio emergencial para os atingidos da enchente negado. Quando solicitaram o aluguel social, o mesmo também foi recusado.
Vereadores de base, que também foram procurados a fim prestar apoio, não responderam as chamadas dos moradores.

Drama vivido pela família na noite da enchente

Na noite de sábado, 8 de janeiro, por volta das 18 horas, 5 pessoas residentes em uma mesma casa passaram por momentos de aflição.

Com as fortes chuvas que iniciaram ainda na madrugada, o muro da casa cedeu. Além disso, o poste de luz caiu, danificando toda fiação e oferecendo risco a quem estava no local ou reside próximo.

Na residência estavam: um casal de idosos, de 73 e 65 anos, uma filha de 41 anos, e duas netas, de 21 e 12 anos. 

Com a queda do muro, a filha do casal, Milene Cristine, que também reside no mesmo bairro, pediu aos familiares que tentassem passar para a casa do vizinho, com medo de que outras partes deslizassem. Eles conseguiram ir para a outra casa. No dia seguinte, vizinhos ajudaram a retirar as pessoas para que fossem levadas para local seguro, já que o muro da residência dos moradores que os socorreram também estava com riscos de desmoronamento.

Para nossa reportagem, ela ressaltou que a estrutura do lugar não possuía nenhum dano ou rachaduras anteriores aos dias de chuvas.

No dia seguinte, Milene levou os pais, a irmã e as sobrinhas para o apartamento que mora com o noivo. Desde janeiro a família continua no local, já que não puderam retornar à residência.

Auxílio emergencial e aluguel social negados

Milene soube do decreto da prefeitura, prometendo auxílio para os atingidos da enchente, no valor de 10.000,00 reais .
Prontamente ela reuniu os documentos que a família conseguiu retirar da casa para dar entrada na solicitação junto à administração pública.
Mesmo explicando aos funcionários que os atenderam de que estava inviável o acesso à residência devido ao deslizamento e riscos no local, a prefeitura informou que, sem esses documentos, nada poderia ser feito. A família, para não passar pelos destroços do muro, fios de alta tensão e muita terra, acessava a casa pulando o muro do vizinho em busca da documentação, mesmo com o perigo.

Porém, o imbróglio, que de acordo com a entrevistada, durou cerca de 20 dias, se transformou em decepção e sentimento de revolta.

No dia 1° de fevereiro, a prefeitura municipal publicou novo decreto onde excluiu o benefício do auxílio emergencial às famílias que tiveram danos imóveis. Sendo assim, moradores que tiveram prejuízos na fundação e/ou estrutura, não poderão receber o subsídio prometido.

Segundo Milene, " a prefeitura fez todos de palhaço", e considera a administração "omissa e desorganizada".
"Isso tudo foi pra fazer a população de bobo. Eles se precipitaram em falar números, em mostrar que iam fazer alguma coisa para a população, para a população acalmar, simplesmente largaram a população. A gente vê uma administração omissa, que não é capaz de 'dar a cara a tapa', e responder a população, tanto prefeito, secretários e vereadores para esclarecer para a população porque o benefício foi negado. Mas dinheiro para diárias, para secretários e vereadores viajarem, tem. Para a população, não".

Além disso, por estarem todos residindo no apartamento de Milene, ela solicitou à prefeitura apoio com o aluguel social, que também foi negado.

Segundo Milene, o aluguel social seria utilizado para as despesas da casa, já que hoje são 7 pessoas no apartamento que ela mora com o noivo e eles não conseguiram encontrar outro local para alugar para a familia. A prefeitura alegou que o contrato de locação do apartamento que ela reside não está no nome do pai, que perdeu a casa.

Milene relatou que, ainda assim, tentou receber da administração materiais de construção. Foi informado que doariam 25 sacos de cimento, um caminhão de brita e um caminhão de areia. Até o momento, nada foi entregue.

Restos da enchente e desmoronamento continuam no local

Após mais de 2 meses das fortes chuvas na cidade e de todo dano contabilizado, o local ainda não recebeu máquinas da prefeitura para retirada de pedras e terras provenientes dos deslizamentos.

De acordo com Milene, a defesa civil informou que o local só poderá ser limpo quando tudo estiver pronto para erguer o novo muro, que precisará ser feito com urgência após a retirada dos materiais, sob risco de novos deslizamentos em caso de outros episódios de chuva.

Os moradores solicitaram um projeto de um engenheiro para a execução de um muro mais reforçado, que modificaria a frente da residência. Para espanto da família, mesmo após todos os prejuízos e aborrecimentos, foram cobradas, pela prefeitura, taxas para a modificação do projeto original.

Destroços do muro continuam
no local, impedindo que a família
retorne à residência. (Foto: acervo pessoal)

Vereadores da base aliada foram procurados e não prestaram apoio

Além de todas as solicitações feitas na prefeitura municipal, após as negativas, os familiares procuraram alguns vereadores da base aliada da administração pública, que não responderam as chamadas e mensagens enviadas.

Milene cita que os vereadores em questão "só fizeram selfies e propaganda pessoal nos dias em que a cidade estava alagada. Hoje, sequer aparecem".

O vereador Paulinho (Bancada do povo), em suas redes sociais, divulgou o evento beneficente que será realizado.

Evento beneficente

Hoje, a renda principal da família é a do aposentado, Senhor Salvio Acássio de Assis, que trabalhou de 1998 a 2021 como servidor da prefeitura municipal, e desempenhou as funções de servente de obras e, nos últimos 15 anos, jardineiro.

Como a família não obteve apoio da prefeitura municipal e vereadores, eles tiveram a ideia de organizar um evento beneficente para arrecadar valores para a reestruturação da moradia da família.

Com doações de insumos por amigos e vizinhos, o evento será realizado em dois dias.

No próximo dia 26, serão vendidos pastéis durante toda a tarde, com início as 13h. No dia 27, a partir de 9h, continuará a venda dos pasteis, e as 13h, ao valor de R$10,00, feijão tropeiro. Além disso, refrigerante a um real e mousse, a 3 reais.

O evento será realizado na quadra do Santo Antônio, que foi oferecida pelo Sr. Zezé, presidente da associação do bairro Santo Antônio.

Veja abaixo galeria para mais informações sobre o evento.


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